terça-feira, 5 de outubro de 2010

Pensamento# 21

Ameaçaram-me, só que eu nem percebi bem o que me disseram, mas uma coisa quero dizer, "Venham", débil, coxo, marreta, como quiserem, não tenho medo.

Enfrento aquele que se quiser por à minha frente, medo? Nem por isso, a fase do ter medo há muito que acabou, ou somos Homens, ou não somos ninguém, só tenho medo dos meus, que não tenham como se sustentar, de ameaças? Venham eles! Que sejam Homens e resolvam, mas com as suas possibilidades, não tenho medo, olho, olhos nos olhos aquele que me quiser enfrentar, mas que seja um Homem e que não tenha medo de se esconder atrás de uma arma, porque quem sabe não faça o mesmo para ele sentir o seu próprio medo!

Medo? Não, para que esconder-me? Será ainda bem pior estar a esconder-me de quem nem medo tenho, sejam homens e parem com ameaças e com cinismos, comigo? Isso não pega nem um bocadinho.

Querem algo? Utilizem um bocadinho mais a cabeça, porque isso contra mim nem serve nem pouco mais ou menos, uma razão para dizer isso? Pois bem aqui está ela!

O que quiserem estou disposto, porque uma coisa tenham a certesa ESTOU FARTO, cresçam e apareçam.

Resumo:
Para todos, aqueles que vem com ameaças e não fazem a ponta de um corno, nem liguem, porque só querem meter medo e ficam à espera que não façamos nada, mas também não façam que há pessoas que nem valem aquilo que comem.

Cumprimentos:
José Santos

Pensamento# 20

Ando este ano a ver se faço e completo o 12º,recompensa, carta de condução, confiança e sobretudo vida nova. A missão não é fácil, mas já tive desafios piores e até hoje os venci todos.

Mas a vida não é só estudar, ainda agora as aulas começaram e já estou um pouco cansado, porque? Pois bem para começar, fui operado a um quisto dermoide na zona do coxis, é das coisas mais esgotantes que uma pessoa pode ter, o primeiro mês, só o pensar levantar da cama já doí, mas depois é trigo limpo farinha amparo.

Depois é a compensação das aulas de E.F e o planeamento de A.P para ser sincero nem sei aquilo que fazer tanto para um como para outro. Mas como diz o fado estudante (fado Coimbra) "quero ser sempre estudante".

Mas o que me vem mesmo a preocupar é que estou mesmo a ver por muito que estudemos ou nos esforcemos, acabaremos na miséria, "meu grande Salazar", nunca deu nada a ninguém mas também não nos tirava, hoje é a comemoração da implantação da República e não sei se hei-de aplaudir se chorar, o IVA vai aumentar e quem recebe vai descontar mais.

O que fizeram ao dinheiro? Que vai ser feito desta geração? Vai haver melhorias?

Por muito que pense e estude, não recebo nenhuma resposta positiva, o que tenho a fazer? simples, finalizar o 12º e ir para a universidade, porque quando acabada, alguma coisa há-de ter de mudar, se não mudar? Bem, terei de ser "eu" a fazer alguma coisa! Sozinho? Não, mas acredito que se eu estiver mal, há-de haver alguém ainda pior que eu!

Resumindo:
Apliquem-se e se estiverem mal revoltem-se!

Cumprimentos:
José Santos

Pensamento#19

Sempre gostei muito deste poema de António Gedeão:

Apreciem-no!


Calçada de Carriche


Luísa sobe,

sobe a calçada,

sobe e não pode

que vai cansada.

Sobe, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe

sobe a calçada.

Saiu de casa

de madrugada;

regressa a casa

é já noite fechada.

Na mão grosseira,

de pele queimada,

leva a lancheira

desengonçada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.



Luísa é nova,

desenxovalhada,

tem perna gorda,

bem torneada.

Ferve-lhe o sangue

de afogueada;

saltam-lhe os peitos

na caminhada.

Anda, Luísa.

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.



Passam magalas,

rapaziada,

palpam-lhe as coxas

não dá por nada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.



Chegou a casa

não disse nada.

Pegou na filha,

deu-lhe a mamada;

bebeu a sopa

numa golada;

lavou a loiça,

varreu a escada;

deu jeito à casa

desarranjada;

coseu a roupa

já remendada;

despiu-se à pressa,

desinteressada;

caiu na cama

de uma assentada;

chegou o homem,

viu-a deitada;

serviu-se dela,

não deu por nada.

Anda, Luísa.

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.



Na manhã débil,

sem alvorada,

salta da cama,

desembestada;

puxa da filha,

dá-lhe a mamada;

veste-se à pressa,

desengonçada;

anda, ciranda,

desaustinada;

range o soalho

a cada passada,

salta para a rua,

corre açodada,

galga o passeio,

desce o passeio,

desce a calçada,

chega à oficina

à hora marcada,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga;

toca a sineta

na hora aprazada,

corre à cantina,

volta à toada,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga.

Regressa a casa

é já noite fechada.

Luísa arqueja

pela calçada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada,

sobe que sobe,

sobe a calçada,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

Poesias Completas (1956-1967)

Cumprimentos:
José Santos